segunda-feira, 5 de maio de 2008

Um dia na vida de James Smith

Certa noite, uma noite normal, havia morrido.
Ninguém poderia dar por sua falta, tamanha era sua vontade de permanecer incógnito. Havia passado 10 anos de sua vida, os últimos 10, dedicado a resolver o problema mais insolúvel de todos.

Os últimos dois anos foram especialmente frustrantes. Constantes, equações, experimentos. Tudo em vão. Nenhum resultado novo, nada aparecia. Não ouvia aplausos, não recebia apoio de ninguém. A calopsita que criava morreu de fome há muito. O suicídio era uma idéia cada vez mais clara em sua mente. Mas precisava saber a verdade.

A comida vinha em caixas, enviadas pela pizzaria favorita. Não por ser boa, mas por ser barata. Não havia subsídios do governo. Não havia iniciativa privada. Só a vontade daquele homem.

Enfim, havia morrido. Estava lá, há dois dias. Rigor mortis. Dali a pouco, começaria a putrefação. Ninguém notaria.

Morreu como um herói, mas não havia ninguém pra reconhecer isso. Muitos o chamariam de besta, por ter dedicado a vida a algo que não deu certo. Mas ele morreu feliz, do coração.

O problema continua insolúvel até hoje. Ninguém mais se dedicaria a ele com tanto afinco. Ninguém jamais se importou com isso.

Agora resta esperar por alguém. Talvez o dono da pizzaria sinta falta de um dos poucos clientes. Mas provavelmente não. É. Ninguém vai aparecer.

3 comentários:

Du disse...

Eu consegui resolver a equação em 2 minutos! \o/
A calopsita é minha agora! ¬¬

Lelo disse...

Não seria "Um dia na morte de James Smith" ? O_o

Du disse...

Vou ligar pra essa pizzaria! \o/