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sábado, 26 de janeiro de 2008

Tá selado!


O Paralelo tá selado... Culpa do Nando! Aff...

E como o Lelo sempre diz, não vamos repassar pra ninguém pra não dar confiança!

Ah, mas peraí... vamos sim, ora bolas!!! Lembrei que tem outro alienígena na blogosfera... Pega o selo aí Jotta, chupa essa manga!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

José queria ser presidente.

Desde que nasceu, José sonhava em ser presidente.

Quando criança, estudou sociologia e história política, aprendeu tudo sobre Taylor, Engels e Marx. Tinha até seu preferido, Brecht.

Quando completou a maioridade, quis concorrer à vaga de vereador. Com um discurso empolgado, trazia as massas a si, e as manipulava como bem queria.

"Depois de ser eleito vereador, serei deputado, senador, e depois concorrerei à presidência" - pensava.

Conquistou diversos votos, sempre com a mesma promessa. Reformas, educação e saúde. Tinha mesmo intenção em cumpri-las, em melhorar a vida de seu povo.

Porém, no dia de sua inscrição nas eleições, descobriram um fato sobre sua vida que ele nunca revelara: José era uma arara. Estava lá, na sua identidade: a-r-a-r-a. Não podia negar o fato. A imprensa saberia de tudo em minutos, e ele precisava de uma saída rápida para manter sua reputação.

Cogitou tentar negar até suas forças esgotarem-se. Mas lembrou-se de seus ídolos, e sua formação ética não permitiria isso. Mas por Deus, ele era uma arara!

Decidiu, por fim, assumir seu lado arara. Colocou seu melhor terno, convocou uma coletiva, e abriu o jogo. Revelou todos os pormenores, contou a história de sua infância difícil, a mãe solteira que o criou com todo o carinho, mas com poucos recursos, o pai que resolveu pintar-se de verde e viver a vida como papagaio no Caribe, os irmãos que não chocaram... Contou também sobre sua verdadeira vocação, sobre sua história nas lutas sindicais - onde era um líder nato -, sobre seus anseios...

O discurso comoveu até o mais duro adversário político. Todos aplaudiram José. Mas um candidato rival, pressentindo a revolução a porvir, decidiu acabar com a vida política de José de vez:

"Mas olhem, ele é uma arara!" - Exclamou, disfarçado em meio à multidão.

Todos os olharem voltaram-se para José. Era clara a manifestação de desapontamento do povo diante daquele ser azul.

José, chorando copiosamente, decidiu então dar fim a sua carreira política. Lhe restava na vida apenas a vocação para convencer o povo. A vocação para a liderança, para a conversa sensata e eficiente. A vontade de ajudar que nunca morre.

No entanto, José hoje trabalha nas Casas Bahia, como auxiliar de vendedor. Sua vocação para convencer o povo restringe-se à venda de fogões e jogos de estofados. Sua vocação para a liderança resume-se em ser o primeiro na fila do cafezinho, às 15 horas. Sua conversa sensata e eficiente é aplicada para explicar ao consumidor como funciona o parcelamento em 24 vezes. E sua vontade de ajudar hoje não passa de uma frase, escrita nas costas de seu uniforme:

"Posso ser útil?"