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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A triste história de Marinalva, a feia!

Marinalva tinha esse nome porque era feia. Se fosse bonita com certeza seria Nicole ou Júlia ou Sabrina. Ela não gostava de pintar nem de cantar, pra ela o bom mesmo seria namorar. Tanto fazia que fosse o padeiro, o pedreiro ou o açougueiro, desde que a levassem pra passear no shopping e tivessem coragem de andar de mãos dadas com ela.
Marinalva tinha ancas largas e para abraçá-la seria necessário muito mais que um abraço de braços longos, talvez um polvo gigante. Marinalva era cheia de carnes fartas, seus seios pareciam querer saltar da sua blusinha branca justinha e sair pedalando por aí sem rumo... era muita carne, por isso a sua preferência era pelo Juvêncio, o açougueiro tarado! Mas ó, que o destino não foi tão bom assim! Carne por carne, a tragédia anunciada foi concebida numa noite sem lua, totalmente iluminada pela escuridão do rio. E enquanto Marinalva sentia tudo aquilo que sempre sonhou (ai!), um bigode estranho de um beijo afobado na orelha (susto!) - Juvêncio não era homem de usar bigode, então Juvêncio não era Juvêncio! Seria o padeiro ou o pedreiro? As outras duas opções num universo de 3 homens predestinados à Marinalva. Qual deles mais se parecia com um polvo ou seria capaz de sair de um rio numa noite sem lua? Marinalva ficou imóvel a partir de então, intocada. E o polvo foi embora sem dormir.