Quando eu era pequeno, aconteceu um episódio que marcaria a minha vida de diversas maneiras, de um jeito tal que iria me perseguir pelo resto dos meus dias.
Uma vez, estava assistindo televisão, devia ter uns seis ou sete anos. Era um pequeno rapaz, acostumado com o rosto de pessoas que não conhecia pessoalmente, mas que eram meus companheiros nas tardes e noites de chuva mais grossa (de manhã, era aula). Sabia de cor os nomes de vários artistas de TV: Miele, Jô Soares, Lima Duarte, Walter Avancini... Mas nunca consegui distinguir o Mário Lago e o Paulo Autran. Nunca. Sempre que aparecia um dos dois na caixa colorida, vinha-me a dúvida: "Será que é o Mário Lago ou o Paulo Autran?".
Assim minha mente cresceu confundida. Qual dos dois era o Paulo Autran? E essa dúvida manteve-se em minha mente até 2002. O pai de Amélia tinha enfisema pulmonar. Veio a falecer, sanando momentaneamente minha cabeça cheia de dúvidas.
Agora era simples: Quando a imagem aparecesse em velocidade normal, era o Paulo Autran. Quando a imagem aparecesse em câmera lenta, com música de fundo, ou ainda quando a imagem aparecesse no Globo Repórter, era o Mário Lago. Durante alguns anos, vivi em paz com minha consciência, por saber diferenciar os dois.
Infelizmente, ano passado faleceu Paulo Autran. Agora as duas imagens aparecem em câmera lenta, com uma música de piano do Richard Clayderman de fundo. Velhos traumas sempre nos assombrarão.
Mostrando postagens com marcador Ovo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ovo. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Trauma de infância
Postado por
Preco
às
15:15
15
xícaras de trigo
Assinar:
Postagens (Atom)


